Cotidianamente, quando alguém descobre que sou psicólogo, ouço uma frase do tipo “ah, então você trata de gente louca” e, com muita seriedade costumo questionar “e o que é ‘gente louca’ para você?” – de modo a, propositalmente, abrir um canal de ressignificação, tanto da loucura quanto da própria psicologia. Tal comentário, assim como tantos outros que rondam a atuação do psicólogo, como formas de “pré-conceito”, somente apontam para o quanto que, infelizmente, a psicologia ainda não é compreendida por grande parte de nossa população!
A palavra “psicologia” se deriva da junção das palavras gregas “psiché” (alma) e “logos” (estudo) e pode ser definida como a ciência que estuda o comportamento e os processos mentais. E dizer que a psicologia se trata de uma ciência, por direito, lhe atribui o reconhecimento de possuir comprovações cientificas de seus conhecimentos e práticas, não podendo, deste modo, ser entendida como mero “achismo” ou “conversa fiada”, assim como não pode ser associada a práticas não científicas ou “místicas”!
Um outro questionamento muito comum que ouço em meu cotidiano é “você está me analisando?”. E para esta questão são necessárias duas respostas. A primeira: psicólogo também é gente! E o que quero dizer com isto? Que, apesar dos conhecimentos da psicologia fazerem parte da maneira de compreender e de lidar com o mundo de um psicólogo, que ele não sai pela rua “analisando” as pessoas fora de seu ambiente de trabalho! E a segunda resposta é que: nem todo psicólogo realiza “análise” (no termo psicanalítico em que está palavra geralmente é empregada)! Isto porque, na verdade, não existe “uma psicologia”, mas “várias abordagens psicológicas que compõe os conhecimentos que nomeamos de psicologia”.
Entre as abordagens psicológicas temos, por exemplo, o behaviorismo (fundada por John Watson), behaviorismo radical (fundada por B. F. Skinner), a psicanálise (fundada por S. Freud), a psicologia analítica (fundada por Carl G. Jung), a Gestalt-terapia (fundada por F. S. Perls), entre tantas outras; cada uma contribuindo, mesmo que através do apontamento de diferentes caminhos (diferentes métodos terapêuticos), para a mesma finalidade: auxiliar as pessoas a compreenderem as suas dificuldades e a viverem de maneira mais funcional e saudável. E é para isto que existe a psicologia!
Um psicólogo, independentemente de sua abordagem teórica, não irá balançar uma varinha mágica e solucionar os seus problemas, nem mesmo irá te iludir fazendo você ver um mundo perfeito onde não há! Muito pelo contrário, este profissional irá, com muito respeito, ética e seriedade, lhe auxiliar a compreender de maneira realista e madura as suas dificuldades, lhe apontará os caminhos que você tem tomado (assim como as necessidades que você tem buscado saciar através destes caminhos) e lhe facilitará visualizar novas possibilidades, de maneira que você mesmo possa encontrar alternativas responsáveis de atuação.
Uma dúvida muito comum se refere à diferença entre o psicólogo e o psiquiatra. De maneira muito simplificada (para não nos delongarmos neste assunto): o psicoterapeuta trata-se de um psicólogo que atua na área clínica através do atendimento psicoterapêutico; já o psiquiatra, trata-se de um médico com especialização em psiquiatria que atua na área clínica através da prescrição de medicamentos e, em alguns casos (através de treinamento adicional), também através do atendimento psicoterapêutico.
Aí você pode me perguntar “e qual destes profissionais eu devo procurar?”. Bem, esta resposta dependerá de cada caso em particular, mas, de modo geral, as duas profissões trabalham de maneira excelente quando complementares! Uma prática é capaz de potencializar a eficácia da outra! Apenas para fim ilustrativo: em um caso hipotético de depressão, está pessoa sabiamente se beneficiaria do psiquiatra através do acompanhamento medicamentoso, que lhe auxiliaria a se sentir fora do “fundo do poço”, fornecendo-lhe energia suficiente para, somente então, possivelmente através do acompanhamento psicoterapêutico de um psicólogo, encarar o seu contexto de vida atual no qual se desenvolveu está depressão e agir sobre ele criativamente, de maneira a superar este estado depressivo.

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