Segundo o filósofo francês Sartre (1905-1980), você, enquanto pessoa, é o único ser que de fato existe.
Isso mesmo que você leu. Sartre diz que os animais e plantas simplesmente são o que são; que eles possuem uma essência que precede as suas existências e que os define naquilo que virão a ser. Enquanto que nós, humanos, surgimos no mundo como seres singulares e sem uma possibilidade de definição prévia, mas como uma construção a partir da interação de nosso organismo com o nosso meio. Ou seja, que a nossa existência precede a nossa essência.
Por conta disto que encontramos pessoas com formas de existir e pensar tão diferentes. Repercutindo que cada pessoa é aberta à plenitude de ser ela mesma, conforme o seu próprio projeto existencial. É neste sentido que Sartre diz que nós somos o único ser que existe.
Mas está é também uma faca de dois gumes! Porque enquanto que os seres não-humanos se deixam acontecer, atualizando-se em suas potencialidades, nós, humanos, nascemos com feixes de potencialidades que podem ou não ser consumadas. Inclusive, podemos tomar rumos existenciais que nos desagradem ou mesmo nos interrompermos no meio desta estrada em busca de significados e propósitos. E aí surge o que chamamos de crise existencial.
Quando vivenciamos uma crise existencial, percebemos a vida acontecendo de maneira automática, mas interiormente nos sentimos paralisados e atormentados em meio a uma tempestade barulhenta de sentimentos e situações inacabadas. Sentimos o coração apertado e a vida vazia; sentimos falta de ânimo e excesso de insatisfação. Pode acompanhar ainda sintomas como cansaço mental, baixa autoestima, dores de cabeça e/ou pelo corpo, alteração do apetite e do sono e até mesmo redução da libido!
Então você poderia me perguntar “em tal situação, o que devo fazer?”. Antes de mais nada, não busque fugir de sua crise existencial, mergulhando intensamente em sua própria rotina. Esta ação paliativa não irá resolver. Pare por um momento. Entre em contato com este desconforto que você vivencia e ouça o que ele tem para lhe dizer. Saiba que por trás de cada crise existencial existe sempre um pedido de socorro a nós mesmos, convidando-nos a reflexões e mobilizações.
A necessidade de dar um sentido à vida é inerente a todo ser humano. Então arregace as mangas e assuma a responsabilidade pela direção do sentido de sua existência! Mais do que simplesmente “se ajustar”, a condição humana está relacionada à responsabilidade de escolher. E mesmo quando não explicitamos ao mundo nossa opção ou quando deixamos que o outro decida por nós, ainda estaremos realizando escolhas (pelas quais responderemos).
Deste modo, busque ampliar sua consciência de si no mundo. Busque entender também como é que você mesmo (muitas vezes por questões emocionais) tem interrompido os seus objetivos. Só assim você poderá fazer escolhas autênticas e responsáveis, considerando os limites físicos, sociais e econômicos, e organizando a sua vida de maneira significativa para si mesmo.
Feito isto, busque coragem. Afinal, grandes mudanças sempre requerem uma boa dose de coragem e esforço, nos desafiando a assumir novos riscos e nos lançando em frente à angustia da escolha.
No entanto só uma coisa é certa: fique como está e pague o preço por existir, mas não efetivamente viver, ou saia desta crise renascido – consciente de que viver é muito mais do que apenas existir; que viver é muito mais do que apenas realizar escolhas automáticas ou medíocres; que viver é conduzir o seu projeto existencial com responsabilidade, autenticidade e paixão!
Por fim, você ainda poderia me dizer “essas são palavras lindas e eu quero tudo isto para mim, mas me sinto sem forças para caminhar por esta estrada”. Neste caso, busque apoio com alguma pessoa de maturidade e confiança, com algum orientador espiritual ou mesmo com um psicólogo.

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